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Dom José Alberto Lopes de Castro Pinto
sexto bispo diocesano

Primeiros anos e vocação

 

José Alberto Lopes de Castro Pinto nasceu em Itaqui, no Estado do Rio Grande do Sul, numa quarta-feira, 5 de agosto de 1914. Seus pais foram Antônio de Castro Pinto e Bernardina Lopes de Castro Pinto. Tinha um irmão mais novo: Gabriel Augusto Lopes de Castro Pinto. Recebeu o Sacramento do Batismo no dia 5 de setembro do mesmo ano, na igreja matriz de São Patrício, em Itaqui.

No dia 15 de dezembro de 1924, recebeu a Primeira Eucaristia, na igreja matriz de Paquetá (RJ). Foi crismado em 29 de janeiro de 1925, na Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Entre os anos de 1926 e 1930, fez o curso ginasial no colégio dos Irmãos Maristas, em Belém (PA), no Recife (PE) e no Rio de Janeiro. Nos anos de 1931 a 1933, cursou Filosofia no Seminário Provincial de São Paulo (SP); nos anos de 1933 a 1937, Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma; e nos anos 1937 e 1938, Latinidade, também em Roma. Nessa cidade, “a cidade eterna”, de 1935 a 1937, recebeu a 1ª tonsura, as ordens menores, o subdiaconado e diaconado.

Sacerdócio e Episcopado

 

No dia 16 de abril de 1938, foi ordenado sacerdote na capela do Pontifício Colégio Pio Latino-Americano, em Roma, pelo arcebispo Dom Luca Ermenegildo Pasetto, OFM Cap. Rezou a Primeira Missa na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, no dia 17 do mesmo mês.

Regressando ao Brasil, celebrou sua “Primeira Missa Solene”, em 24 de dezembro de 1938, na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro. Em 26 de fevereiro de 1939, começou seu ministério como professor no Seminário Arquidiocesano São José, no Rio de Janeiro, onde exerceu também os cargos de disciplinário, ecônomo, ministro, diretor espiritual e vice-reitor.

Em 1947, padre José Alberto voltou à Roma para licenciar-se em Sagrada Escritura, no Pontifício Instituto Bíblico. Novamente de volta ao Brasil, lecionou Sagrada Escritura e matérias afins no mencionado Seminário Arquidiocesano São José e foi capelão do Colégio da Companhia de Santa Teresa de Jesus. Exercia ainda o cargo de procurador do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, sediado em Roma, e foi auxiliar da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Bairro Grajaú, na capital do Rio de Janeiro. Pertenceu ao cabido arquidiocesano, com o título de cônego honorário, e recebeu o título de monsenhor. Foi também capelão da Penitenciária Lemos Brito, no Rio de Janeiro.

Em 25 de fevereiro de 1964, monsenhor José Alberto foi nomeado pelo Papa Paulo VI como bispo titular de Hierapolis in Isauria e bispo auxiliar do cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara. Foi ordenado bispo no dia 1º de maio do mesmo ano, festa de São José Operário (santo de devoção do prelado), na Igreja Matriz de São Francisco Xavier. O bispo ordenante principal foi Dom Jaime de Barros Câmara, cardeal arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, e os outros bispos ordenantes foram Dom Adelmo Cavalcante Machado, arcebispo de Maceió (AL), e Dom Othon Motta, bispo da Campanha (MG). Adotou como lema episcopal Ministrare, non ministrari (servir, não ser servido), à luz dos evangelhos de Mateus e de Marcos Mt20,28; Mc 10,45).

Como bispo auxiliar, Dom José Alberto foi nomeado vigário geral da arquidiocese. Ocupou diversos cargos, entre eles, na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (tesoureiro), na Conferência Episcopal Latino Americana (departamento de ecumenismo) e na Liga de Estudos Bíblicos (membro e presidente). Foi cofundador da Associação São Pedro “in vinculis” (proteção aos ex-presidiários) e fundador do Centro de Ecumenismo e da Comunidade Judaico-Cristã do Rio de Janeiro.

Com o falecimento do cardeal Câmara (18 de fevereiro de 1971), Dom José Alberto foi eleito vigário capitular, cargo que ocupou até a posse do novo cardeal arcebispo, Dom Eugênio de Araújo Sales. Assim, voltou a ser bispo auxiliar e vigário geral, até ser nomeado bispo da Diocese de Guaxupé.

Enquanto bispo auxiliar, participou da Terceira (1964) e da Quarta (1965) Sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II, em Roma.

Na obra “Pacto das Catacumbas – Por uma Igreja servidora e pobre”, padre José Oscar Beozzo afirma que Dom José Alberto foi um dos 42 bispos que estavam presentes ou concelebraram a Missa na Catacumba de Santa Domitila, na periferia de Roma. A Missa foi presidida pelo bispo de Tournai, Bélgica, monsenhor Charles-Marie Himmer. O Pacto das Catacumbas foi assinado em 16 de novembro de 1965, por 42 bispos de 25 países, representando os cinco continentes. Os 5 bispos brasileiros signatários do documento foram: Dom João Batista da Mota e Albuquerque, arcebispo de Vitória (ES); Dom Francisco Austregesilo de Mesquita Filho, bispo de Afogados da Ingazeira (PE); Dom José Alberto Lopes de Castro Pinto, bispo auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro; Dom Henrique Hector Golland Trindade, OFM, bispo de Bonfi m (BA); e Dom Antônio Batista Fragoso, bispo de Crateús (CE).

Posteriormente, o pacto foi assumido por cerca de 500 dos 2.500 bispos do Concílio Vaticano II. Com o objetivo de ser fi el ao espírito de Jesus, o pacto convidava o episcopado a assumir uma vida de pobreza, em prol de uma Igreja “pobre e serva dos pobres”, conforme o desejo do papa João XXIII. Vale ressaltar que um dos proponentes do pacto foi Dom Helder Pessoa Câmara, fundador da CNBB e sempre comprometido com as causas sociais no Brasil. Segundo Beozzo, Dom Helder, um dos redatores do pacto, não pôde participar dessa Missa por seu compromisso naquela manhã com a comissão mista de redação da Gaudium et Spes, da qual era um dos titulares.

 

Bispo de Guaxupé

 

No dia 16 de janeiro de 1976, o Papa Paulo VI o nomeou bispo diocesano de Guaxupé. A notícia da nomeação chegou à diocese somente no dia 28 de janeiro.

Segundo consta nos arquivos da Cúria da Diocese de Guaxupé, o novo bispo chegou a Guaxupé na noite do dia 26 de março, acompanhado pelo então cardeal arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Eugênio de Araújo Sales.

No sábado, 27 de março de 1976, às 11 horas, sua excelência tomou posse canônica na Catedral Diocesana Nossa Senhora das Dores, perante o cardeal do Rio de Janeiro, doze bispos, o cabido diocesano, diversos sacerdotes, autoridades e fiéis.

Sobre a ação pastoral de Dom José Alberto na diocese, padre Antônio Carlos Maia afirma: “Foi realizado o Congresso Diocesano de Catequese, que teve grande participação dos catequistas, em Guaxupé, momento marcante. Dom José visitou todas as paróquias. Participava e tinha certa simpatia pelo movimento Cursilho de Cristandade”.

O prelado criou o curso básico para os Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística (MECEs) e reestruturou o curso de aperfeiçoamento para o mesmo grupo.

Padre Maia confirma isso: “Dom José Alberto, pessoalmente, ministrava o curso na capela do seminário, em nível da diocese, por setor. Teve grande participação”. Segundo padre Maia, “Dom José tinha grande zelo e empenho pela Pastoral Vocacional”. Em 12 de fevereiro de 1977, Dom José Alberto reabriu o seminário e ele mesmo assumiu a reitoria, passando a denominar-se Seminário Diocesano São José, sendo instalado no antigo prédio do Colégio Imaculada Conceição, atual Cúria Diocesana. Após nove anos da reabertura do seminário foi que Dom José Alberto ordenou o primeiro padre. Assim, “a marca dele era a esperança”, afirma padre Maia. Durante seu ministério episcopal na Diocese de Guaxupé, ordenou 13 sacerdotes. Segundo informações de padre Maia, ele próprio foi o primeiro seminarista dessa turma a ser ordenado por Dom José Alberto, depois foram ordenados os monsenhores Onofre Teixeira Filho e Enoque Donizetti de Oliveira.

Maria de Lourdes Sandroni que trabalhou na secretaria da Cúria Diocesana (quando ainda era no palácio episcopal), por cerca de 11 anos, conviveu com Dom José Alberto. Ela traz detalhes da personalidade do bispo: “Estando em Guaxupé, celebrava Missa na catedral todos os dias às 7h da manhã, na capela do Santíssimo. Muito inteligente e estudioso, falava 5 idiomas. Era apaixonado pela Sagrada Escritura, tanto que ocupou nos regionais e na CNBB cargos e funções inerentes a ela. Gostava muito também das cavalhadas do sul do país, sua terra natal, onde em suas férias passava com seus primos e constantemente bebia seu chimarrão. Lembro-me de uma cicatriz que tinha no seu rosto, dizia ele ser consequência de patada de um desses animais. Afável, piedoso, generoso, muito justo nas suas decisões, e à sua maneira lidava com carinho e com respeito as pessoas. Muito simples no trajar, humilde e tranquilo, embora de pouca prosa. Era de uma candura que ninguém podia imaginar. Gostava de contar casos engraçados, embora um pouco que sem jeito para essas façanhas”.

Portador de vasta cultura e inteligência, sem descuidar de seu rebanho, traduziu a obra “Paixão de Cristo segundo o cirurgião”. Traduziu também, do original, o Livro dos Provérbios, elaborou o comentário para a edição da “Bíblia da Família”, elaborou a introdução aos Livros de Josué, Juízes, Rute e Epístolas Católicas. Dedicou-se ainda ao estudo científico do Santo Sudário de Turim.

Segundo o historiador Wilson Remédio Ferraz, por motivos de saúde, Dom José Alberto pediu à Santa Sé que lhe fosse nomeado um bispo auxiliar. A sua solicitação foi atendida em 31 de agosto de 1988, pelo papa João Paulo II, que nomeou como seu coadjutor Dom José Geraldo Oliveira do Valle, CSS.

No dia 1º de maio de 1989, Dom José Alberto completou 25 anos de ministério episcopal. A Diocese de Guaxupé comemorou a data jubilar com solene Celebração Eucarística, na Catedral.

 

Renúncia e últimos anos

 

Conforme prevê o Código de Direito Canônico, no cânon 401 §1º, ao completar 75 anos de idade, Dom José Alberto pediu renúncia ao santo padre. No dia 11 de outubro de 1989, o papa João Paulo II aceitou seu pedido de renúncia. Após sua renúncia, continuou a residir em Guaxupé.

Segundo Wilson Remédio Ferraz, o prelado “sofreu de prolongada enfermidade (Mal de Parkinson) até o seu falecimento”. Os seus últimos anos de vida foram vividos sob os cuidados e dedicação das Irmãs da Nova Betânia.

Dom José Alberto Lopes de Castro Pinto faleceu numa quinta-feira, 6 de março de 1997, por volta das 11 horas, na residência do noviciado das religiosas de Nova Betânia, em Guaxupé. Estava com 82 anos.

O seu corpo foi velado na Catedral Diocesana Nossa Senhora das Dores, em Guaxupé, e o sepultamento ocorreu na cripta da mesma catedral, após a Missa de Exéquias, presidida por Dom José Geraldo, então bispo diocesano. Está sepultado ao lado do túmulo de Dom frei Inácio João Dal Monte, OFM Cap.

Segundo as religiosas da Congregação das Irmãs da Nova Betânia, Dom José Alberto foi um bispo que serviu a todos, indistintamente, como pastor, como amigo e como gente simples. Uma vida de doação e serviço à Igreja e ao Povo de Deus. Quando bispo de Guaxupé, aprovou a Congregação das Irmãs da Nova Betânia, sendo o cofundador desse instituto. Vale ressaltar que essa congregação foi fundada em 29 de junho de 1985, pela madre Terezinha Ramos Bastos. A congregação tem como carisma cuidar de padres idosos, auxiliá-los em suas paróquias, trabalhar nas áreas da saúde e educação e divulgar a boa leitura.

Profundo conhecedor da Sagrada Escritura, foi um bispo de grandes virtudes, homem culto, inteligente, bom, simples e discreto, muitas vezes incompreendido pela sua maneira silenciosa de ser. Era apaixonado pelo Reino de Deus. Assíduo pastor, visitou diversas vezes as paróquias da diocese. Viveu com amor a sua vocação, foi um pastor zeloso e, a exemplo de Jesus Cristo, o Bom Pastor, viveu para servir, e não para ser servido.

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